sábado, 12 de maio de 2012

Sobre a época dos vinte anos



Quando eu digo "20 anos", é aquela época que abrange uns anos antes das exatas duas décadas, e uns anos depois. É aquela idade que define muita coisa em nossas vidas. Claro que você pode se reinventar enquanto existir vida pulsando em seu corpo, mas em sua maioria, as decisões e escolhas que fazemos na fase dos vinte anos, são levadas pra todo o sempre. Estamos em um misto de saudosismo e medo; saudade da nossa infância que foi melhor que a infância das crianças de hoje, e medo de como será o mundo no futuro. Engraçado que há dez anos atrás estávamos assistindo Dragonball Z, mas daqui há dez anos, espera-se que já tenhamos uma estabilidade financeira, um relacionamento encaminhado e uma vida pré-definida. Contrastante, né? Sim, e muito.
Nessa época, nossos gostos, amigos, estilo, opiniões e etc, foram aprimoradas desde uns anos atrás. Claro que ainda nos importamos com o que os outros pensam, mas nessa fase o que mais importa é com o que pensamos mesmo. Nosso estilo de se vestir e de se portar? É do jeito que achamos mais confortável, e foda-se o resto. A maioria das bandas que escutávamos aos 14, 15 anos, ainda continuamos escutando. E gostando. Mas aprendemos a escutar bandas mais clássicas, aquelas que provavelmente já existiam antes de nascermos. Finalmente passamos a entender a real mensagem que aquela música que ouvíamos há anos queria passar. Algumas das bandas que gostamos, são largamente apreciadas por nossos amigos também.
Ah, os amigos... Os amigos que temos aos vinte anos, geralmente não são muito diferentes dos que tínhamos aos dezesseis. Os amigos que mantemos na fase dos 20 anos, em sua maioria, são os que serão levados por toda a vida. São os que viveram loucuras com você, mas que provavelmente vão ver você se formar na faculdade, concretizar seus sonhos, ou casar... Enfim. Nessa época você aprecia e mantém mais as amizades mais antigas, não é fácil um novo conhecido virar um grande amigo agora. E se por acaso, vira um grande amigo, você também vai saber manter a amizade por bastante tempo. Vai querer manter por mais tempo.
Aliás, os relacionamentos em geral se tornam mais duradouros. Com o tempo e a experiência adquirida em relacionamentos anteriores, os namoros dessa fase ficam mais duradouros. Não brigamos muito por besteira, deixamos um pouco de agir por impulso... "Eu te amo" deixa de ser uma expressão que antes era dita para várias pessoas, e agora só é falada se for real. Na maioria dos casos, é nessa época que conhecemos a pessoa com quem queremos estar por toda a vida. Alguns de nós já estão noivos, morando junto, ou casados - e é quando você se toca de tudo isso que vem o choque de que você está envelhecendo. 
É, é um choque mesmo. Aí você começa a lembrar de como tudo era mais fácil antes, de quando suas preocupações eram só tirar nota boa na prova da escola, e não os complicados trabalhos de conclusão da faculdade, ou ir bem em seu emprego. Você vê as crianças hoje, brincando, e pensa: "Ah, que saudade dessa época..." Ao mesmo tempo pensa que elas não foram e nem serão tão sortudas como nós, porque não tiveram o que nós tivemos na infância. E temos razão. Tudo aquilo de legal, nós vimos e vivemos. No tempo em que a televisão não era tão pretensiosa, no tempo em que tínhamos uns 8 anos e éramos inocentes, e que o que mais queríamos era brincar. Aí a gente pensa em tudo da nossa infância que foi genial, e bate uma saudade...
As fotos de antigamente estão meio amareladas agora. Você olha algumas e pensa nas loucuras que já fez - não se arrepende, mas não faria de novo. Passamos a gastar menos o nosso dinheiro com futilidade. Vivemos na época em que ir em shows é muito importante, e sabemos que são as memórias desses shows, as que serão muito especiais no futuro. Hoje gostamos de programas com os amigos em que podemos conversar. Não aquelas baladas com música super alta em que ninguém ouve ninguém. Ainda vamos em alguma, mas os melhores programas geralmente são os mais calmos.
O tempo vira um aliado e um inimigo. É difícil fazer as coisas que você gosta tendo que conciliar trabalho, faculdade, namoro e etc. Mas em compensação, você sabe que o que planta agora definirá sua vida no futuro - e faz de tudo pra ser bom. Você aproveita melhor os bons momentos, aprende a sofrer menos com as coisas. Aprecia mais o tempo livre, o tempo pra pensar, o tempo pra sair. Tudo é melhor aproveitado agora.
E vamos vivendo assim. Saindo da adolescência e entrando na fase adulta. Um pé cá e outro lá. Vamos criando memórias pro futuro. Ah, o futuro... O temido futuro. Tentamos fazer o possível pra ele ser não ser ruim. Cuidamos bem do que temos hoje. E é assim essa fase dos vinte anos. Grande parte do que somos já foi definida, ainda estamos definindo o resto. E às vezes paramos pra pensar: "Ah, essa fase dos vinte anos... Quem dera fosse assim pra sempre."

Rafaela Ivo, há cinco meses de completar duas décadas de vida, tinha muito mais pra falar nesse texto, mas sabe que o pessoal da fase dos vinte anos não gosta de ler textos muito grandes.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Tales of a lonely man.


Veio como quem não quer nada, partiu como se não tivesse nem vindo. Foi a pessoa mais adorável, mais idolatrada, mais querida e amada, tudo isso, em sua mente. Todos os sonhos, toda a grandeza, todo o brilho e toda a emoção existiu tão somente como um truque de sua imaginação. Pensou ser grande, quando na verdade pequeno era, quis derrotar reinos, quando na verdade, nem conseguia entrar no castelo. Sonhou com o amor da princesa, mas a princesa não existia, era fruto de sua imaginação também. Seu consciente era inconsciente e lhe pregava peças, tinha medo dos monstros que viviam no escuro de sua cabeça.
Viveu a vida inteira assim, sem viver, sem se relacionar, sem sentir, nem pensar. Achou que poderia consertar o mundo, mas no mundo ele não vivia, dos problemas do universo ele não sabia. Mentira, sabia sim. Ele vivia trancado em seu universo particular, considerava as outras pessoas insignificantes, não queria saber de ninguém. Era egoísta, narcisista, e com um alter ego que tinha engolido seu verdadeiro eu. Mas não foi sempre assim.
Um dia foi menino, um dia provou o gosto do mundo. Um dia viveu, um dia sentiu, um dia experimentou tudo que a humanidade nos oferece. Se considerava puro demais para o mundo sujo, em sua mente era superior à todos. E com isso, isolou-se em sua teia de histórias e seus feitos psicológicos. Afastou tudo e todos, se considerando melhor que qualquer um. Um dia enfrentou um leão, pensando que era um dragão cuspindo fogo. Acabou morrendo sozinho, definhando sozinho. Sem ninguém pra lamentar sua ida. E assim veio. Como quem não quer nada. E assim partiu. Como se nem tivesse vindo.


domingo, 6 de maio de 2012

Mary Jane



E às vezes eu ficava ali, olhando pra ela. Via ela pegar algum livro, sempre com muitas páginas, deitar-se no sofá com uma garrafa de café e uma xícara ao lado, ficar ali, quatro ou cinco horas seguidas, até terminar o livro ou chegar bem perto do fim. Ela sempre foi a mais comunicativa na relação, e eu o mais recluso. O que me dava tempo para poder observá-la. Para poder absorve-la. Uma parte dela devia ter nascido nos anos 70, quando colocava uma música pra tocar, era sempre Europe, Skid Row, Aerosmith, Metallica, Queen ou Led Zeppelin. Sabia cantar todas as músicas, mas preferia imitar o barulho da guitarra. Tentou me ensinar a história de The Wall, o lendário cd do Pink Floyd, mas eu nunca entendi direito a mensagem que eles queriam passar. Tantos anos juntos, e até agora não entendi como consegue ser tão musical, literária, tecnológica, artística e tão feminina. Parecia saber de tudo um pouco, e às vezes quando conversávamos, me sentia limitado. Por isso, ficava calado e a ouvia falar. Mas ela também adorava me ouvir falar. Me fazia conversar sobre como estava a banda, e nos poucos dias que eu não estava em turnê, víamos uma maratona de filmes e séries - e ela sempre me deixava escolher quais. Sempre foi e ainda é a pessoa mais me apoia nas minhas decisões. Eu nunca vou ser pra ela metade do que é pra mim, até mesmo porque nunca li nenhum dos vários livros que ela pulicou. Gosto de saber que tem uma parte da minha mulher que eu não conheço totalmente. Já sei que ela tem uma parte da cabeça onde não nascem cabelos, uma partezinha do tamanho de uma bola de gude. Sei que odeia usar biquíni porque é muito branca. Sei também que quer ter um filho antes dos 35, apesar de só ter me falado isso quando éramos adolescentes. Sei que tem milhares de coisas que eu amo nessa mulher, mas a que eu mais gosto é de saber que ela é minha. Meu tesouro. E é com essa mulher que eu quero estar toda a minha vida.

P.s.: Mary Jane é o nome de uma música do Megadeth, estava ouvindo e criei essa história, e resolvi dar esse nome.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Parte III de III. - A coragem que deu as caras.



Aquela situação o estava inquietando. Muniu-se de coragem. Caminhou até a casa dela. Fez isso uma doze vezes, e em nenhuma bateu à sua porta. O porquê? Porque a coragem não era suficiente. Porque não sabia o que dizer. Porque não sabia o que esperar dela. Não sabia qual seria a sua reação. Tinha medo de ver o quanto o rosto dela tinha mudado naqueles meses. Sabia que em algum momento ou ele procurava ela, ou aquilo o mataria. Sabia que a solução era ir atrás dela, arrancar o orgulho do peito, e pisá-lo no chão. Sabia que tinha que fazer tudo isso, seu corpo sabia, sua mente sabia, mas de algum jeito, ele não conseguia fazer aquilo.

E aí acumulava-se a dor. E dóia, céus, como era imensa a dor do pobre rapaz. Aí ele comprou flores. E comprou flores porque pensava que não teria coragem de as deixar murchar, e que assim então, iria até ela, aquela que outrora lhe era o sorriso do seu dia. E quando estava prestes à sair, o telefone tocou. E então, pronto. Ele entendeu que não devia sair, que não deveria visitá-la, o telefone tocando era um impedimento. Andou até a mesinha pequena, de madeira escura, perto da janela, e atendeu.

- Alô...
- Sou eu.

E ele sabia quem era, e teve que segurar as flores para não derrubá-las no chão. Ficou em silêncio, até que ela falou novamente.

- Escuta, eu sei que eu não deveria estar ligando. Que a atitude deveria ser sua. Mas eu não vou deixar meu orgulho me tirar o que eu amo, e você também não deveria fazer isso. Temos muito à conversar. Por favor... vem aqui agora.

E com isso desligou. E ele foi. Foi correndo. Chegou lá ofegante, um pouco suado, e tocou a campainha. Ouviu passos, e então ela abriu a porta. Ele olhou pro rosto dela, e ela deu um sorriso tímido. Uma lágrima se formou em seu rosto, e caiu, ele acompanhou a lágrima, que parou na barriga dela. Na enorme barriga dela. Na redonda barriga dela. Ficou de joelhos. Olhou pra ela e havia interrogação e surpresa em seu olhar, ela apenas sorriu e balançou afirmativamente a cabeça. Ele abraçou a barriga dela, beijou. A lágrima dele juntou-se a dela. Depois levantou-se. E ali, despiu-se de todo o orgulho, armou-se de toda a coragem que tinha, beijou o rosto dela, abraçou-a e sussurrou em seu ouvido:

- Perdão. Perdão pela minha covardia. Quer se casar comigo, mãe do meu filho?

E pelo sorriso e as lágrimas dela, ele sabia que sua dor tinha chegado ao fim. Que daí por diante, teria uma vida inteira tentando ser o melhor em dois papeis: o de marido e o de pai.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

II de III - A falta que se faz mais forte.



Ele já não sabia mais o que fazer. Saia nas ruas andando a esmo, procurando em outros rostos aquele que era o dela. Achava engraçado estar vivendo tamanho clichê, mas era verdade que as horas passavam mais devagar, que da comida ele já não sentia o mesmo sabor, e em sua rotina haviam lacunas vazias que o deixavam às portas da depressão. Caminhava pela praia e lá pensava nela, que tanto gostava do sol e do barulho do mar - e por Deus, como queria ela ali. Mas o que o matava mesmo era não saber o que ela estava fazendo, o que estava pensando ou sentindo. Pisando no orgulho e criando uma coragem que não tinha, ligou pra ela. Era noite e ela atendeu no primeiro toque, e ele sabia que ela estava dormindo, como sempre, com o celular do lado. Então ele falou, meio sem saber o que dizer:

- Alô.
- (silêncio)
- Tá aí?
Ela tossiu levemente do outro lado da linha.
- Fala alguma coisa...
- (mais silêncio)
- Fala...
- Não sou eu quem deve falar algo.

E com isso, ela desligou. E ele ficou imóvel sem saber o que tinha feito, sem saber o que fazer, procurando a coragem que tivera instantes antes. Ficou ali, cheio de palavras e lamentos que não conseguia colocar pra fora.

sábado, 28 de janeiro de 2012

I de III - A perda


- Diga a ela que você me viu
Que eu parecia muito bem
Apesar de tantas noites vazias
Tantas madrugadas vendo tv. - 
Diga a Ela - Nenhum de Nós

Aí veio a solidão. E ela veio carregando a dor, acolhendo-a em seus braços. Nem todo o café do mundo seria capaz de aplacar o que ele sentia, e nem toda a vodka do universo o faria esquecer por um só o momento o sorriso dela. O que o chateava, o que o emputecia, era que partira dele a ideia de terminar tudo, de por um fim. O que o deixava mais transtornado era a justificativa dele. "Preciso de um tempo sozinho." E agora ele sabia que não precisava de um tempo só coisíssima nenhuma, ele sabia que precisava dela, e agora não a tinha mais. O dia estaria perdido se não se chamasse de burro pelo menos dez vezes ao dia. Quando a raiva ficava mais forte, socava sempre o mesmo lugar na parede do quarto, onde já se via uma marca vermelha estampada. Sentia saudade do seu beijo, do seu gosto, do seu cheiro e do seu rosto, e até sentia saudade de vê-la toda despenteada e desarrumada, desencanada por estar ao lado dele. E sim, ele estava perdido. Consumido pela dor que o egoísmo foi capaz de causar.

É, vai ter continuação. Me deu na telha escrever isso, e é baseado em uma coisa que aconteceu recentemente ao redor de mim, então achei que seria legal adaptar e colocar aqui. Espero que acompanhem.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Uma dose de janeiro.


Janeiro começou como sempre começa, agitado. Tão logo caiu no marasmo, varrendo a diversão e também a correria. E eu permaneço aqui, rezando para que janeiro voe, que passe também fevereiro, que vá embora então o ano inteiro. Porque eu te quero aqui. Porque eu anseio em ter tua mão na minha, tua voz doce aos meus ouvidos, teu beijo quente e teu abraço presente. Tenho ânsia por tua presença, preciso de ti. É, eu sei que na verdade eu não vivo sem ar, mas sem ti só vivo por metade, não sou inteira. Janeiro nos trouxe uma dose de conturbação, mas é aquele sacode que o barco leva. Mas o barco continua a seguir em frente, amor, e eu te digo sempre: "aponta pra fé e rema". E remando vamos, fé em mim, fé em ti, fé em nós. Enfrentando ondas fortes, ventanias e até tempestades. Mas então, o tempo carregará janeiro (e mais o ano inteiro) e nos trará dezembro, para enfim podermos ficar em águas calmas, numa praia qualquer, deixando o sol a lamber nossos rostos, enquanto nossos corpos, enfim unidos, não se desgrudam mais.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Do nosso tempo.


"Por favor, que volte tudo a ser como antes". Acho que essa tem sido a frase que eu mais tenho falado esses dias. Me refiro ao antes sim, falando daqueles dias em que tudo parecia mais fácil, e transcorria de maneira natural - sem esforço, sem pensar antes de fazer e/ou falar. Caramba, dói um pouco pensar que até duas semanas atrás tudo estava tão bem, e de repente ficou nisso. Em que ponto as coisas se perderam assim?

Fico procurando alguém em quem pôr a culpa. A culpa é minha? É sua? É das circunstâncias? Ou será ela, a malvada distância, provando agora que não é apenas física? Então percebo que a culpa é de tudo e de nada, e o que acontece é apenas... uma prova.

O meu medo é não resistir à essa prova. Meu medo é de ser reprovada nesse teste, assim como foi reprovada aquela vez no terceiro ano. Meu medo é querer terminar com tudo, não aguentar esperar essa fase passar. Porque é uma fase. E vai passar.

Que fique claro que eu sinto muita falta da tua voz. Do teu riso fácil. Das brincadeiras idiotas, das piadas sem graça, das horas em que o silêncio toma de conta. Sinto falta das canções, das batucadas na mesa do computador, dos gritos da minha pequena cunhada. Sinto falta, em suma, da rotina que foi criada.

Que tu saibas então, amor, que eu também tenho vontade. Da vontade de estar aí e dividir contigo o sofá-cama, de andar contigo pela praia, de jogar areia em ti, de tomar um refri bem gelado embaixo do sol. E de andar pela areia, sentindo no rosto a brisa do mar, e tua mão na minha. E tenho vontade de fazer tudo dar certo entre a gente. E essa vontade é maior que qualquer uma.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Turn on the lights, it's christmas time.


Era uma vez, uma guria de uns 8 anos de idade. Lembro que ela estava com raiva, não queria se mudar, e principalmente voltar para o estado cheio de calor que ela nascera. Ela queria correr pelos pampas do Sul, queria morar no Rio Grande pra sempre, mas nem sempre a vida era como ela queria que fosse. Para dar-lhe o que fazer, sua mãe pegou sua mão, e foi lhe levando até o centro da cidade, em um lugar na mesma rua que a casa do pai dela - assim, ela poderia ir sempre, se quisesse. Ao entrar, a menina se deparou com livros. Uma série deles. Diversos livros, milhares de livros, estantes e estantes cheias deles. A mãe falou para filha ir escolher algum livro pra levar e ler em casa. Três dias depois, a menina leu o livro... E claro, foi atrás de mais. A partir daí, virou devoradora de livros. Melhorou seu português, tinha mais assuntos para conversar, ganhou campeonatos de soletrar, concursos de redação... Sua paixão só foi crescendo, e ela foi aprendendo a escrever também, transformar sentimentos em palavras. E no Natal desse ano, ao invés de ter uma árvore comum, ela criou uma árvore com tudo aquilo que faz ela viajar sem sair do lugar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dos monstros que habitam em nós - Parte I.


O sentimento aparece como quem não quer nada. Chega, invade, e me toma como refém. Pronto. Estou nos braços do que sinto, essa coisa que me domina, que me toma por completo. Basta um pensamento, uma imagem - ou uma palavra qualquer - e logo estou assim, dominada. Eu tento fugir, digo que isso não é certo. Mas meu coração não me escuta, a sensatez é abandonada. E caio em prantos, ou então, do fundo do meu coração cresce um ódio profundo, que parece estar ali, enraizado, pronto para brotar. Na verdade, parte disso é medo. Medo de te perder, medo de não mais te ter, medo de te ver com outra. Descobriu o sentimento? É o ciúme. O veneno que temos em nossas veias, apenas um corte e se espalha pelo corpo todinho, tomando os outros orgãos, contaminando-os. E logo nosso corpo está cheio desse sentimento, dessa luz forte que nos cega os olhos e o coração, impedindo a mente de nos controlar. E eu me pergunto se tenho que viver com isso, se tenho que conviver com essa dor, com esse aperto no peito, com essa desconfiança. E pior: com o medo da desconfiança se tornar certeza. E eu fico aqui, convivendo com esse pequeno monstro que vou criando em mim, rezando para que ele fique escondido em seu canto, e não mais apareça.

P.s.: sei que fiquei sumida daqui, mas estava sem internet... Enfim, estou de volta, e vou comentar os blogs que postaram recentemente. Obrigada por ainda seguirem, um beijo!